Por Grace Gianoukas, atriz
Não tem como fugir: é ligar a TV, selecionar o canal, sentar no conforto de minha poltrona, e não tarda para começar a sequência de comerciais picotando meu programa preferido. Mas tudo bem, é um processo natural, já é um aspecto cultural bem sublimado ter que se deparar com o intervalo comercial televisivo. Tanto que, tem muitos daqueles comerciais feitos pensando no bolso do cliente (e não na alma do expectador) que passam e você nem assimila, com suas verdades artificiais. Contando com que a pessoa aqui seja tontinha o suficiente pra dar crédito à conversa pra boi dormir que faz qualquer bovino perder o sono. Ai, gente, propaganda de margarina com família feliz. Desculpa, mas dá depressão. E de aromatizante de banheiro, então? O que é aquela gente não suportando o cheiro do próprio cocô? É pra rir ou pra chorar?
Mas nem tudo está perdido no mundo do espaço comercial televisivo. Sim, provando que existem publicitários criativos e corajosos o suficiente para vender suas ideias, às vezes, somos surpreendidos com pequenas pérolas criativas de trinta segundos. Comerciais que ficam na nossa memória e se tornam uma lembrança gostosa, tanto pela mensagem bacana que o anunciante acaba passando, quanto pelo apurado senso estético e visual, que é um colírio de bom gosto para os olhos. É o caso dos comercias do Mercado Livre. São verdadeiros exemplos de irreverência, humor inteligente e competente produção. Sem falar no clima de surrealismo que nos brinda com um lirismo que carece no vasto deserto criativo em que se encontra a promoção de produtos e serviços que nos cerca. Os comerciais do Mercado Livre são como drops de sessão de cinema.
A começar pelo rapaz que vende beijos pelo site do anunciante. O clima romântico, o carisma dos atores escalados, o frescor da idéia. Tudo conspira para que o comercial envolva o expectador pelos motivos certos. Pois inspira quem assiste a exercitar seu lado lúdico, juvenil (veja aqui).
Em seguida, a piração da lambretinha amarela que atravessa a cidade para impedir um casamento. O nonsense só deixa o filminho mais divertido. E é genial em não ser óbvio para passar a mensagem de que compras mal pensadas podem virar um desastroso casamento (veja aqui).
Por fim, temos ainda o casamento grego com a quebra de pratos. O rapaz desesperado por inclusão no meio, acaba se excedendo e promovendo uma destruição em massa. Uma catarse emocional que, por mais desvairada que seja, apenas retrata a ânsia do ser humano em conseguir aceitação (veja aqui).
E é neste ponto que o Mercado Livre acerta, pois, com bons atores, mais do que mostrar a perfeição de modelos e comportamentos, ele retrata toda a sorte de emoções humanas, com uma deliciosa pitada de irreverência que anda muito em falta no mercado. Será que acho isso no Mercado Livre pra comprar?
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