Por: Flavio Waiteman, vice-presidente de criação da Master Publicidade
Pensando no Clube, no prazer que é folhear Anuários e ver a memória da propaganda brasileira passar em frente aos olhos, pensei em colaborar com uma ideia, além claro, do pagamento em dia da anuidade.
Na nossa profissão, uma ideia resolve um problema. Você pode se perguntar: Que problema seria esse? Olhe, talvez o Anuário do Clube de Criação de São Paulo não tenha problema nenhum. Talvez todos estejam perfeitamente contentes e satisfeitos com a premiação e critérios. Talvez. Se você não está satisfeito, siga em frente no texto.
Imagine um Clube de criativos de uma das maiores potências da publicidade mundial. Um mercado que produziu gênios criativos, que criaram uma grande indústria e se tornaram gigantes no negócio da publicidade.
Agora, imagine que esse Clube, esses feras, um dia disseram o seguinte: “Bom, nosso Clube é a representação máxima da criatividade de nosso país. Movimentamos milhões e somos referências em nossa língua, conhecidos no mundo inteiro. Mas, como Clube, será que não seria melhor convidarmos estrangeiros para compor o critério de julgamento com a gente? Sim, dar um tom heterogêneo ao critério?”
Alguns torceram o nariz: “Não precisamos que ninguém nos diga o que é bom”. Ou: “Muito provavelmente eles não vão falar direito a nossa língua”. E, acredite, foram ditos muitos outros argumentos completamente pertinentes, para que essa proposta não vingasse.
Mas foram em frente, porque acharam que isso poderia "distensionar" alguns egos e coibir algumas injustiças que são comuns a todos os júris. A ideia não era acabar com injustiças, porque isso é utopia. Mas fazer com que essas injustiças não se tornassem maiores do que as próprias peças premiadas.
E assim fizeram. Passaram a convidar pessoas de praticamente todos os continentes, em uma proporção menor, porém decisiva na composição do critério e do peso da premiação.
Estou falando sobre o One Club. Mas gostaria de estar falando também sobre o Clube de Criação de São Paulo.
O One Show e o D&AD até premiam algumas peças de fora, mas são, por definição, festivais nacionais dos Estados Unidos e da Inglaterra, respectivamente.
Se os americanos, que são pragmáticos e orgulhosos de sua cultura, fazem isso, poderíamos levantar essa possiblidade.
Eles não entenderiam regionalismos? Mas alguém disse: se quer falar para o mundo, olhe para sua aldeia.
Encareceriam as inscrições com a tradução? OK, mas já fazemos traduções para vários festivais internacionais. E poderíamos selecionar e enviar as melhores peças. Investir no critério e não na quantidade.
Enfim, devem haver diversos pontos negativos. Porém, cito alguns pontos positivos:
Com a inclusão de notáveis de outros países, provavelmente haveria uma "distensão" entre os sócios do Clube, rivais no dia-a-dia do trabalho, e um apego maior ao que realmente interessa: o critério.
As peças para festivais internacionais seriam conhecidas antecipadamente e as observações sobre elas, a tradução e o impacto sobre jurados seriam produtivos para sua inscrição em festivais, no futuro.
A diminuição do risco de se dar uma medalha a um trabalho de uma agência, digamos, neutra, do que para as eternas rivais. E, com isso, impedir que peças memoráveis não sejam premiadas.
Enfim, devem existir vários outros pontos positivos, mas, como ideia, resta ainda ela passar pelo corredor polonês dos posts. Talvez apareça uma outra ideia melhor ainda.
O Anuário sempre foi uma fonte de referência para o profissional de publicidade. Muita gente fez a carreira através dele e foi contratado por estar presente nele.
Essa proposta é uma tentativa de voltar à raiz. Que a memória da publicidade não padeça de Alzheimer, se esquecendo vez ou outra de peças sensacionais.
A inclusão de alguns jurados internacionais de peso no Anuário de São Paulo. Sim ou não?
Que jurados seriam? Talvez os mais premiados no D&AD e no One Show?
Qual outro critério?
O mundo está chamando o Brasil e o Anuário de São Paulo representa o Brasil.
Provavelmente, novas pessoas ocuparão o espaço do Clube e essa pode ser uma opção que “destrave” e “distensione” um certo sentimento que se nota sobre o próprio Anuário. Mas, como disse, isso pode ser apenas uma impressão particular sobre o momento do Clube, que não corresponda a realidade.
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Flavio, vce é o cara.
Bjs
– denise waitema