Aqui deDentro

Caíto Ortiz

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Sempre fui fascinado por claquetes, desde pequeno, só não fazia ideia para o que elas serviam. Anos depois, descobri que claquetes são seres animados que passam mensagens, garantem sincronia entre som e imagem e também ajudam em ajustes de cor e localização de cenas dentro do material filmado. Que me perdoem os que já conhecem a razão de existir de uma claquete, mas gostaria de explicar um pouco a sua origem. A claquete nasceu junto com o advento do som no cinema, nos anos 1920 (“O Cantor de Jazz”, lançado em 1926 é considerado por muitos o primeiro filme falado, mas há controvérsias). Elas existem para colocar imagem e som em perfeita sincronia. Explico: no cinema, som e imagem não são gravados na mesma base, como ocorre com uma câmera de vídeo caseira. Um rolo de filme 35mm não grava som, que é captado em um gravador paralelo, uma fita separada, e esse som só vai ser sincronizado com a imagem no processo de finalização da cena filmada. Hoje em dia, a tecnologia evoluiu muito com as claquetes eletrônicas, mas a origem é sincronizar o som do “tec” com a imagem do “tec”. Simples assim. Há tempos coleciono as claquetes dos meus filmes e queria dividir algumas delas com vocês. A edição é dos Silvas, um coletivo de jovens diretores aqui da Prodigo, e a última claquete do clipe merece uma explicação: claquetes obedecem códigos rígidos, um deles é o de que, por vezes, a claquete precisa ser batida no final da cena por razões distintas. Se for esse o caso, ela deve ser batida de cabeça para baixo, o que significa que o assistente de montagem deve procurar o som do “tec” no final da cena, e não começo. Essa é a claquete mais difícil de ser batida, já que o claqueteiro precisa saber julgar quando a cena acabou antes do corte de câmera. Por vezes essa claquete de final pode interromper um take perfeito. João Papa, um dos Silvas, realmente aprendeu como bater uma claquete de final naquela diária. A voz ao fundo eu confesso que é minha.

Em tempo: a trilha é um clássico brasileiro nas mãos de João Erbetta, tiramos do seu L.A. Sessions, disco genial. Espero que gostem. Abraços,

Caíto Ortiz, sócio e diretor de cena da Prodigo Films

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Comentários

HABIB DANDO BEIJINHO!!!

hahuahuahauhauhauhaua

– Lucas

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