Por: Rodolfo Sampaio, vice-presidente de criação da DM9DDB
Minha rotina, como a de muitos de vocês, ligados ao business da propaganda, me permite pouquíssimas vezes assistir TV no horário em que a maioria da população brasileira assiste. Durante a semana, então, é quase impossível.
Ligo a TV num sábado à noite, lá pelas 10, 11 horas. No ar, Zorra Total. Gente, Zorra Total é a cara do Brasil. Um humor fácil, escrachado, muitas vezes politicamente incorreto (imagina se a propaganda fizesse 1% daquilo!!). Aí fico pensando: do que o povo brasileiro gosta? O que o povo brasileiro entende? Com que formato de comunicação ele se identifica?
Eu nasci num lugar chamado Campo Grande, penúltimo bairro do Rio de Janeiro. Depois, só Santa Cruz. Essa origem me fez conhecer gente dos mais variados níveis sociais. Desde empresários até o mais humilde trabalhador braçal. Eu conheço motorista de ônibus, pedreiro, caminhoneiro. Aliás, conheço não. Sou amigo.
Uma caminhada pelo calçadão de Campo Grande vale mais que muitas pesquisas antropológicas para conhecer a tão falada classe C (a D e a E também). Olhando na cara das pessoas, você vai passar a pensar duas vezes antes de rebuscar indistintamente suas ideias. Você vai ver gente que não teve chance de estudar, não tem tempo pra ler, sem grana pra nada. E doida pra chegar em casa e assistir a novela das 9. Gente com muito pouco poder de abstração.
Não falo de mediocridade criativa, longe disso. Falo de “Mamíferos”, “Não é nenhuma Brastemp”, “A sua TV é Sharp?”. Campanhas memoráveis, vendedoras, brilhantes. Sucessos de crítica. Sucessos de público. Na veia do povo.
Eu sinto aquela invejinha saudável, quando vejo na TV uma campanha que minha mulher elogia, que minha filha gosta e que a babá dela ri. Parece lugar comum, mas existem mesmo dois Brasis: um cosmopolita, aberto à ousadia das ideias e à sofisticação dos conceitos. E o que adora Zorra Total.
Preste bastante atenção com qual deles você está falando na hora de criar.
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Não estranhem o telefone, estou em Angola. Gostei muito do texto. As vezes me achava imbecil quando ia criar para esse público Zorra Total e via caras tortas de colegas de agência para textos simples, sem sofisticação, sem criatividade. Tudo porque eu queria adequar a minha comunicação ao porteiro do prédio onde eu morava e à galera da comunidade Baixa Fria, que jogava bola comigo no campo de Dunas perto de onde eu morava, na Bahia. Me identifiquei. Bacana!
– Cássio Melo
Bela observação Rodolfo. São poucos que conseguem fazer uma propaganda que realmente encante o público da Zorra Total, e quando conseguem são campanhas memoráveis. Como foi aquela pro Shopping Rio Sul da conversa de Deus com São Pedro. Parabéns! Pela campanha e pelo texto.
– Digo Souto
Muito bom!
É O DEDO NO PULSO DO CONSUMIDOR!
– Arnaldo Albergaria
É o polimento perfeito nas idéias simples.
Daury
– Daury Lisboa
Grande Rodolfo,
Não existem coincidências na vida e sim destino...olha só o que ele fez acontecer. Eu aqui nos EUA pesquisando e navegando na INTERNET e para minha agradável surpresa encontrei esse seu objetivo e esclarecedor texto. Parabéns pela visão e experiência de vida. Forte abraço e lembranças a família Sampaio.
– Fred Sampaio