Quem diria que pegar uma bicicleta e pedalar por cerca de 160 quilômetros, sem parar – de São Paulo até quase chegar a Campinas e depois de volta à capital paulista – é descanso? Egisto Betti, diretor de RTVC da AlmapBBDO, não só diz como faz isso para descansar e aliviar a mente das exigências do dia-a-dia. Seja rumo ao interior da capital paulista. Seja na madrugada, nas montanhas de Campos de Jordão. Keka Morelle, diretora de arte da F/Nazca S&S, há cerca de um ano abriu uma loja de roupas para mulheres grávidas, em Porto Alegre: a Nana Barriga. A criativa é, obviamente, responsável por toda a comunicação visual de seu empreendimento. Os dois serão os personagens da edição de estreia da seção Lado B, que procura descobrir “faces ocultas” de profissionais do mercado publicitário. Dá uma olhada.
Pensando na infância, onde o prazer de pilotar uma bike surgiu, Egisto Betti comenta: “Andei muito de bicicleta quando era menino. Tive uma felicidade que meus filhos não têm hoje, que foi a de poder brincar na rua”. O hoje RTVC da Almap curtiu a vida sobre duas rodas até mais ou menos os 13 anos. Depois, abandonou a magrela. Mal sabia ele que, passados 20 anos de separação, sua história de amor com o veículo iria se tornar muito mais séria.
Betti estava então com 34 anos e embarcou numa viagem aos EUA. Foi lá, no Norte da América, que ficou eletrizado ao ver uma mountain bike brilhando na vitrine de uma loja. “Fiquei fascinado e não resisti: comprei a bike, mesmo sob protesto da minha esposa”, lembra o publicitário, que trouxe a bicicleta na bagagem.
Quando a irmã de Keka Morelle estava grávida, na capital gaúcha, ela teve grande dificuldade para encontrar roupas bacanas para usar durante a gestação. “Fizemos então, eu e ela, uma pesquisa informal de mercado e percebemos a deficiência desse setor em Porto Alegre”, conta.
Keka Morelle, na Nana Barriga, em Porto Alegre: “Adoro minha profissão. E ela é essencial ao meu lado B”
Surgiu daí o projeto, que a diretora de arte da F/Nazca encarou ao lado da mãe, Beatriz Morelle. “A experiência com a loja tem sido muito interessante, principalmente porque é uma extensão do que eu faço – e gosto. A diferença é que para a loja, eu não só crio como aprovo”, diverte-se Keka, que desenvolveu a logomarca e toda a programação visual da Nana Barriga, passando pelas embalagens e campanha, com flyers.
De volta dos EUA, Egisto conheceu a ciclista Renata Falzoni, que o apresentou ao grupo “Night Bikers”, que realiza passeios noturnos todas as quartas-feiras, em São Paulo. “Apesar de sempre ter gostado de esportes – corria, jogava tênis, mas nada muito sério - eu era fumante e gordinho”, diz Betti. “A Renata sempre me dizia que eu tinha que ir, tinha que ir. Acabei indo só para conhecer e, de cara, gostei”.
Betti conta que a galera do “Night Bikers” também faz trilha de bicicleta e que ele foi logo convidado a juntar-se à trupe. “Durante uns cinco, seis anos, eu fiz trilha com motocicleta. Depois de um acidente grave, nunca mais peguei uma moto”, confidencia. “Claro que uma trilha com bicicleta seria completamente diferente, o condicionamento físico tem que ser outro”.
Depois de muito relutar, decidiu encarar uma trilha em Itupeva. “Sofri muito, xinguei todo mundo”, relembra. “É um esporte muito duro, exigente, o atleta tem que estar muito bem condicionado”. Essa primeira trilha de bike tinha 45 quilômetros e o publicitário demorou cerca de quatro horas para atravessá-la. O percurso é feito normalmente em 2h20. Assim que terminou de pedalar, exausto e suando, Betti exclamou: “Vou de novo!”. “Foi como um vício, não quis mais parar de fazer trilha”.
Avaliando sua experiência no universo das grávidas, Keka crê que o interessante é a oportunidade de conhecer aquilo que ela chama de “novo mundo”. “Eu já lia sobre gravidez, maternidade, para atender Pampers, por exemplo. Com a loja, passei a buscar informações sobre negócios, fornecedores alternativos, controle de custos. E tudo isso me deu uma visão mais ampla, mais empreendedora”, avalia. “Buscar outras referências, aprender cada vez mais. Isso tudo alimenta a diretora de arte que sou”.
Para Keka, só é possível tocar o negócio da forma como está levando por conta da publicidade. “Por exemplo, eu só pude criar o logotipo da loja porque sou diretora de arte”. Por outro lado, salienta que a experiência deu a ela uma visão também de “cliente”. “A gente passa a entender melhor quando o anunciante pede para aumentar o logo”, brinca.
Betti, que fumou por quase 20 anos, largou o vício para melhorar seu desempenho sobre a magrela. Também emagreceu (15 quilos). Em 2001, começou a competir e encarou a Iron Biker, prova que dura dois dias. São 150 quilômetros que devem ser percorridos por terra, numa região montanhosa próxima a Ouro Preto (MG). “Essa foi minha primeira prova grande e este ano, participei da competição pela sexta vez”, diz.
Naquela época, ele conta que começou a treinar sério com a atleta e consultora Adriana Nascimento, nove vezes campeã brasileira de monutain bike e campeã pan-americana. Treina até hoje com um grupo de 35 pessoas. Eles chegam a percorrer 180 quilômetros de uma só vez.
Ano passado, Keka desenvolveu seu primeiro produto exclusivo para a loja, o Sling Nana Barriga, uma espécie de bolsa para levar o bebê. “Os índios já levavam as crianças amarradas num pano e esse tipo de produto é super conhecido e utilizado no exterior. Nosso trabalho, depois de cerca de três meses de pesquisa, foi o de desenvolver algo com uma pegada mais moderna”, descreve.
No começo deste mês de abril, Keka criou o site http://www.slingnanabarriga.com.br, que traz um link para a loja virtual Nana Barriga. “Vamos vender os produtos para todo o Brasil”, comemora.
O site mostrará ainda sugestões de roteiros para que as mamães possam passear com seu bebê, aproveitando que, com o uso do sling, elas têm as duas mãos livres. “Agora, estamos trabalhando para tornar o site bilíngue e vender também para fora do país”.
Betti lembra que mountain bike é como mergulho: o esporte nunca deve ser feito sem companhia. “Já me perdi uma vez, em Campos do Jordão, em 2004. Saí de casa às 15h para voltar às 17h, mas no meio da trilha me perdi e não conseguia mais voltar. Foi escurecendo e nada. E o pior é que eu estava sem celular”, arremata. “Bateu um desespero e eu continuava a pedalar. Num dado momento, cheguei a um morro bem alto, vi o Palácio do Governo e me localizei. Cheguei em casa às 3h da manhã. Minha mulher já tinha chamado a polícia, bombeiros”.
Para Egisto, o fato de ser ciclista não só o faz um publicitário melhor, como uma pessoa melhor. “A palavra-chave é ‘superação’. O ciclista busca superar-se. E eu, como produtor de rádio e TV, tendo que produzir muitas vezes com verba apertada e pouco prazo, também tenho que me superar, persistir”, compara.
Keka garante que aposta nessa atividade paralela porque diverte-se. “Se não fosse divertido, eu não faria. Adoro escolher cores, materiais, pesquisar etiquetas, é muito interessante ficar ligada nessas coisas”. Para o futuro, pensa em começar a desenhar as roupas que vende. “Já fiz uma linha de maiôs para gestantes, que é comercializada pela loja virtual. Aos pouquinhos, quero me aventurar mais nesse campo”, finaliza.
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Keka parabéns! Tanto por seu talento como diretora de arte e agora por sua iniciativa empreendedora. Beijo grande.
– Rodrigo Campos
Keka, vc é duka.
– Tom
Egisto, não sabia desse vicio!!
Parabéns para o casal..
r
– rodolfo vanni
Oi Egisto,contar mentira é feio...180KM? Hahah.
Abs
– edu Rodrigues
a maneira como a história é contada, reflete o grande profissional que vc é,,,depois que li o artigo vc virou meu ídolo!!!
grande abraço
Kfouri
– fernando kfouri
Se estiver dirigindo e vir o Egisto de bike no seu retrovisor com a lingua de fora preste atenção: se a língua estiver pra esquerda ele vai te ultrapassar.
É isso aí Egistones! Tô esperando o convite para me juntar ao pelotão da "Caseirinha" e fazer os 180K.
Parabéns.
Cruz
– Alexandre Cruz